sexta-feira, 14 de outubro de 2011

03/09

No deserto de almas desertas, o reconhecimento não se deu de forma direta, tampouco imediata. Mas as pétalas uniam-se, aos poucos, cada vez mais rubras. Os desenhos que me lembravam montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura, não eram mais o principal motivo que me levava a estar ali. Havia a força do pedido e a certeza do atendimento.

A corola era agora a gratidão. O sorriso veio como consequência. A escuridão nunca se fizera tão clara, tão obviamente clara. E a estagnação do momento suave do ósculo tornou-se, para mim, parte de um infindável sonho.


O andar que me lembrava o soar de um sino parecia agora mais próximo. Todos os sonhos reuniam-se e cobriam-se de lírios brancos, formando um vídeo de pouco mais de três segundos.. ou três minutos. O anseio por tornar-me responsável por alguém foi atendido e até surpreendido. Ganhara mais uma razão. Três dias, dia três.


Contrariando a Dialética, ali não havia razão alguma para tristeza. Inevitavelmente, a infelicidade é traiçoeira. Não escolhe dia nem mês, mas pode ser varrida por asas. Tinha agora o suporte que faltava às minhas. Não só protegido, como também necessário.


O pleno carnaval foi antecipado uns cinco meses. Os saveiros, os navios e os naufrágios saíram da água e quiseram voar. Os peixinhos do mar e toda a beleza das estações são, realmente, insuficientes. E chego cada vez mais perto de descobrir o que é o tal espinho que não se vê em cada flor.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Onirismo...

Olhos parcialmente vendados. É claro, não poderiam estar totalmente! A vontade de saber o que estava acontecendo em minha volta era tamanha, que iniciei um processo de especulação. Estaria em uma ilha deserta, um bosque, um quarto? Um caminho tão longo... Certamente não era um lugar qualquer. Podia ver uma forte iluminação, mas sentia pouco vento.
- Só mais um minutinho! - pediu ele.
Definitivamente, não podia mais esperar.
- Pronto, princesa.
Um piano, algumas velas e ele... Meu poeta, meu cantor, minha luz. A forte iluminação vinha de seus olhos. Não sabia onde estava, mas não podia e nem queria sair de lá.
- Eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações... porque você é linda, porque você é meiga, e, sobretudo, porque você é uma menina com uma flor.
- Não me deixa acordar agora... Não... Não.



volta?