No deserto de almas desertas, o reconhecimento não se deu de forma direta, tampouco imediata. Mas as pétalas uniam-se, aos poucos, cada vez mais rubras. Os desenhos que me lembravam montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura, não eram mais o principal motivo que me levava a estar ali. Havia a força do pedido e a certeza do atendimento.
A corola era agora a gratidão. O sorriso veio como consequência. A escuridão nunca se fizera tão clara, tão obviamente clara. E a estagnação do momento suave do ósculo tornou-se, para mim, parte de um infindável sonho.
O andar que me lembrava o soar de um sino parecia agora mais próximo. Todos os sonhos reuniam-se e cobriam-se de lírios brancos, formando um vídeo de pouco mais de três segundos.. ou três minutos. O anseio por tornar-me responsável por alguém foi atendido e até surpreendido. Ganhara mais uma razão. Três dias, dia três.
Contrariando a Dialética, ali não havia razão alguma para tristeza. Inevitavelmente, a infelicidade é traiçoeira. Não escolhe dia nem mês, mas pode ser varrida por asas. Tinha agora o suporte que faltava às minhas. Não só protegido, como também necessário.
O pleno carnaval foi antecipado uns cinco meses. Os saveiros, os navios e os naufrágios saíram da água e quiseram voar. Os peixinhos do mar e toda a beleza das estações são, realmente, insuficientes. E chego cada vez mais perto de descobrir o que é o tal espinho que não se vê em cada flor.
Odair lembranças eternas
Há 9 anos
