Olhos parcialmente vendados. É claro, não poderiam estar totalmente! A vontade de saber o que estava acontecendo em minha volta era tamanha, que iniciei um processo de especulação. Estaria em uma ilha deserta, um bosque, um quarto? Um caminho tão longo... Certamente não era um lugar qualquer. Podia ver uma forte iluminação, mas sentia pouco vento.
- Só mais um minutinho! - pediu ele.
Definitivamente, não podia mais esperar.
- Pronto, princesa.
Um piano, algumas velas e ele... Meu poeta, meu cantor, minha luz. A forte iluminação vinha de seus olhos. Não sabia onde estava, mas não podia e nem queria sair de lá.
- Eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações... porque você é linda, porque você é meiga, e, sobretudo, porque você é uma menina com uma flor.
- Não me deixa acordar agora... Não... Não.
volta?
Odair lembranças eternas
Há 9 anos

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